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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Governo português anuncia o grupo vencedor para participar da privatização da TAP

 


Essa semana teve uma grande repercussão a venda da TAP para o grupo da Lufthansa e muita coisa está se falando  já dando certo como  a TAP pertencendo a Lufthansa e muita gente já está pensando que que essa operação vai ser concretizada de imediato mas eu vou tentar aqui explicar  como é o processo , em que pé está , o que ainda vem pela frente e quais serão as consequências pro mercado europeu e também pro mercado brasileiro porque de certa forma essa transação mesmo sendo feita na Europa com empresas europeias poderá ter  um grande impacto no mercado brasileiro de aviação.

No dia 14 de outubro o último o governo português,  liderado pelo Primeiro Ministro  Luiz Montenegro, anunciou oficialmente a escolha do grupo alemão Lufthansa para a privatização parcial da TAP deixando para trás  a proposta do grupo AirFrance/KLM que  também estava participando do processo. Então nesse momento o que temos de concreto é que a Lufthansa tem uma previsão de participação  na compra das ações da TAP de 49, 9%  incluindo aí os 5% reservados aos trabalhadores. Sendo assim, na verdade ela estaria com 44.9%  neste momento. O valor total que foi aprovado e que a Lufthansa propõe a pagar é  de cerca de 1 bilhão e 200 milhões de Euros. Essa proposta alemã foi considerada pelo governo português como a melhor inclusive ficando cerca de 16% acima da proposta da concorrente.

É o que o que vai acontecer agora?

A Lufthansa entra no capital da TAP  com essa oferta de 1 bilhão e 200 milhões de euros  pelo pacote de 44,9% das açõesque  poderão chegar a 49,9  incluindo aí os 5% dos trabalhadores que são direitos reservados a eles e de  o Estado Português mantém inicialmente 50,1%. No entanto a Lufthansa deverá assumir a gestão operacional enquanto o Estado mantém uma posição maioritária no Conselho de Administração. Isso é muito importante éque as  pessoas entendam que uma coisa é administrar operacionalmente a companhia e outra coisa é você ter a maior parte do conselho de administração que fica na mão do governo português .

A Lufthansa pretende comprar o restante do capital e a proposta para a segunda fase representa +1,3 bilhões de euros incluindo 873 milhões em dinheiro e uma participação acionista avaliada em 488milhões de euros no grupo alemão.  A venda total poderá ficar concluído em 2028. Há ainda um prazo de dois anos para as coisas  se concretizarem e a segunda fase depende de novas negociações e de apoio político. De concreto temos que a primeira fase já está acertada politicamente , mas ainda não está implantada .

O que que muda para a TAP Portugal neste momento?

Segundo os compromissos apresentados pelo governo e pela Lufthansa irá  permanecer a marca TAP e a sede em Portugal. Lisboa continuará a ser um centro estratégico de operações, o Porto deverá ganhar alguma importância nessa transação , já que é um aeroporto  muito importante em Portugal e na Europa e tende a crescer ainda mais sua importância com essa esse investimento da Lufthansa.  Estão previstos investimentos na frota de aeronaves que poderá atingir até 130 aviões a um longo prazo.

As ligações ao Brasil e América Latina serão particularmente importantes e aí que entra  um estudo  sobre alguns impactos que pode acontecer na aviação brasileira. Estão previstos novos investimentos em manutenção aeronáutica e criação de empregos. Estes são compromissos e planos anunciados e não resultados já concretizados.

Na minha avaliação considero que a Lufthansa pode ser uma boa solução industrial para a TAP,pois as duas companhias já pertencem a StarAliance e existe complementaridade nas redes de rotas tendo a Lufthansa experiência na integração de outras companhias europeias. Mas há 3 questões importantes :

  •           A capacidade de cumprir os investimentos prometidos;
  •         A preservação de decisões estratégicas em Portugal;
  •         O risco de  perder a autonomia a longo prazo.

Resumindo: a compra parcial tem agora uma base oficial e concreta, aliás a seleção da Lufthansa foi publicada hoje 16 de outubro no diário da República. Porém a transferência das ações ainda não foi concluída e a grande questão deixou de ser quem vai comprar a TAP e passou a ser se Portugal deve vender também os restantes 50.1% e integrar o controle total à Lufthansa.

Também podemos ter uma análise de questões particularmente interessantes como se esta venda é realmente um bom negócio para Portugal e para os contribuintes tendo em conta os 3 bilhões e 200 milhoes de euros que o Estado injetou na TAP até aqui.

Então com essa possível concretização do negócio  da Lufthansa entrando na TAP isso pode ter impacto também na aviação brasileira sobretudo nas ligações entre o Brasil e Europa e esse impacto pode ser sentidos pela LATAM, Azul, GOL e pelos aeroportos brasileiros fora do eixo Rio-São Paulo.

 Sabemos que o Grupo Lufthansa já tem operações importantes entre a Europa e o Brasil através de companhias como a Lufthansa, SWISS e ITA Airways. Ao integrar a TAP o grupo passará a reunir uma rede muito forte de ligações entre o Brasil e cidades europeias como Lisboa funcionando como uma das principais portas de entrada da Europa.  A importância desta transação está no alcance geográfico , pois a TAP atende as cidades brasileiras que não têm a mesma oferta de voos internacionais das grandes capitais.

 

Como ficam a LATAM, Azul e a Gol?

LATAM- maior pressão competitiva disputa diretamente o mercado Brasil Europa com a TAP e as empresas do grupo Lufthansa.

Azul- oportunidades e risco, pois já possui parceria comercial com a TAP e pode alimentar mais voos internacionais mas terá de negociar dentro desse novo grupo  maior.

GOL- A Gol sofre um impacto indireto pois sua parceria com a Air France/KLM perdeu a disputa pela TAP e enfrentará um concorrente europeu mais forte.

A parceria da Azul com a TAP já inclui codeshare e benefícios para passageiros frequentes. A Gol por sua vez mantém uma parceria estratégica de longo prazo com a Air France KLM.

E para os aeroportos?

A TAP já vinha ampliando sua presença fora de São Paulo e do Rio de Janeiro antes mesmo da escolha da Lufthansa.

Curitiba- a rota para Lisboa foi programada para começar em julho 2026 com 3 frequências semanais . Uma integração Futura poderá aumentar a possibilidade de conexão com a Europa.

São Luis do Maranhão- a TAP anunciou 2 voos semanais para Lisboa com início previsto para 26/10/2026.

Florianópolis e Porto Alegre- a TAP anunciou a ampliação de ambas as rotas para 4 frequências semanais neste ano de 2026.

A médio prazo a Lufthansa poderá aproveitar essas ligações para captar passageiros brasileiros com destino à Alemanha, Suíça, Áustria, Itália e outros mercados europeus.

As passagens vão ficar mais baratas?

Existem 2 efeitos possíveis:

1-      Preços mais baixos:  se a Lufthansa investir em aeronaves aumentar a frequência e melhorar a eficiência operacional poderá oferecer mais lugares e tarifas competitivas.

2-      Preços mais altos: se a concentração de mercado reduzir a concorrência efetiva o grupo poderá ganhar maior poder de negociação e de definição de tarifas e isso é um ponto que causa grande preocupação para o mercado brasileiro principalmente para os passageiros que vão precisar utilizar os voos.

É por isso que a análise das autoridades de concorrência será importante. Não existe neste momento qualquer anúncio que permita afirmar que os bilhetes Brasil Portugal vão baixar ou subir por causa da operação.

A capacidade aérea entre Europa e Brasil em 2026 tem os seguintes números: o grupo Lufthansa junto com a TAP tem uma projeção de 36% de participação nesse mercado de passageiros onde a TAP sozinha já possui 24% desse volume de passageiros para a Europa.

A dimensão dessa participação demonstra  que o Brasil é um dos principais motivos da compra. A Lufthansa não está apenas adquirindo uma companhia portuguesa está procurando consolidar uma posição de liderança no tráfego aéreo entre a Europa e Brasil.

Na minha avaliação as consequências mais importantes serão estas:

  •        a LATAM enfrentará uma concorrente mais forte;
  •         a azul poderá ganhar oportunidades de conexão dependendo dos acordos comerciais;

3-       os aeroportos brasileiros regionais poderão beneficiar-se de uma TAP financeiramente mais robusta mas há uma questão ainda mais interessante a Lufthansa poderá acabar por transformar Lisboa num grande centro de distribuição dos passageiros brasileiros para toda a Europa concorrendo diretamente com Madrid Paris e Amsterdã.

Esse é o potencial estratégico da operação e também um dos principais riscos para a concorrência.

Como já falamos acima, isso vai trazer impactos para a aviação brasileira sem dúvida e nós temos que estar atentos aos aspectos negativos . A entrada da Lufthansa na TAP pode ter impacto negativo para a LATAM e para Gol, mas acredito que os riscos são diferentes para cada companhia. O principal problema é que a Lufthansa poderá transformar a TAP numa concorrente muito mais forte utilizando Lisboa para disputar passageiros brasileiros que viajam para toda a Europa. Há uma diferença importante: a LATAM enfrenta um risco maior de concorrência direta nos voos internacionais. A Gol enfrenta sobretudo o risco de perder a oportunidade de crescimento através das suas parcerias. No caso da Gol eu vejo com maior complexidade  do que parece porque há 2 novidades recentes que torna a situação particularmente interessante:

1-      em 16 de setembro deste ano a gol inaugurou voos diretos entre Lisboa e o Rio de Janeiro com aeronaves Airbus a 330 passou portanto a concorrer diretamente com a TAP nessa rota;

2-       no início de outubro a  Gol e Tap começaram a operar um acordo de codeshare transatlântico permitindo vender gols uma da outra.

Isso significa que a Gol poderá ganhar passageiros através da cooperação com a TAP mesmo enquanto disputa o mesmo mercado. O risco surge se a Lufthansa depois de assumir a gestão da TAP alterar os acordos comerciais e favorecer outras companhias brasileiras, além disso, a Gol tem uma relação estratégica com a Air France KLM precisamente o grupo que perdeu a disputa pela TAP.

 

E a LATAM?

A LATAM já compete diretamente com a TAP em ligações entre Brasil e Portugal. Em 2026 anunciou até o aumento das frequências Fortaleza-Lisboa de 3 para 4 voos semanais em outubro e 5 durante parte da temporada seguinte. Com uma TAP integrada comercialmente na Lufthansa a LATAM poderá enfrentar:

1-      maior capacidade de concorrência nas ligações Brasil e Europa;

2-      pacote de passagens com conexões europeias mais competitivos;

3-      maior pressão sobre as tarifas e margens de lucro.

Qual seria o maior perigo?

Na minha avaliação o maior risco não é a Lufthansa vender passagens mais baratas mas controlar uma rede muito ampla de distribuição de passageiros entre o Brasil e a Europa se conseguir combinar os voos da TAP ,Lufthansa e Swiss , Brussels Airlines e ITA Airways. O grupo terá uma capacidade comercial muito relevante.

Para LATAM isso representa a pressão competitiva direta. Para a Gol tanto pode representar uma ameaça como uma oportunidade dependendo do futuro do acordo com a TAP. A conclusão é que as 2 brasileiras terão de responder a uma concorrente potencialmente mais forte, mas ainda é cedo para afirmar que sofreram perdas financeiras. A Lufthansa foi escolhida pelo governo português, mas a operação continua sujeita às etapas finais e às autorizações necessárias. Existe uma questão estratégica considera decisiva: será que com a negociação Lufthansa/TAP a Gol tenderá por se aproximar ainda mais da Air France KLM formando um bloco concorrente ao grupo alemão? É um cenário plausível mas ainda não uma decisão anunciada.

Então como podemos ver essa transação entre a Lufthansa e a TAP que parece que está tão distante do mercado brasileiro pode causar alguns impactos sim e impactos importantes na nossa aviação brasileira.

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