O Mercado europeu apresenta boas oportunidades para mecânicos de manutenção aeronáutica, especialmente especialmente para profissionais com experiência em aviação comercial, manutenção de linha (line maintenance), manutenção pesada (base/heavy maintenance), motores e sistemas aviônicos. Em 2026, empresas como KLM e Ryanair mantêm vagas abertas para mecânicos e profissionais licenciados em diferentes países europeus, incluindo Holanda, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria. A Ryanair, por exemplo, afirma estar contratando centenas de profissionais de engenharia e manutenção para acompanhar a expansão de sua frota. Ryanair Careers
Onde estão as oportunidades
As oportunidades não estão concentradas apenas nas grandes companhias aéreas. Há empregos em companhias aéreas, empresas de MRO (Maintenance, Repair and Overhaul), oficinas de motores e componentes, fabricantes e prestadores de manutenção aeroportuária.
Entre os mercados que merecem atenção estão Alemanha, Holanda, Irlanda, Polônia, Espanha, Áustria, Malta, Hungria e países bálticos. Algumas empresas possuem grandes bases de manutenção em regiões onde o custo de operação é menor, enquanto cidades como Amsterdam, Dublin e Frankfurt concentram operações importantes de manutenção de linha e engenharia.
Vagas atuais ilustram essa distribuição: a KLM procura profissionais B1/B2 e Cat A em Amsterdam/Schiphol, enquanto a rede de manutenção da Ryanair anuncia posições para mecânicos e engenheiros B1/B2 em locais como Dublin, Wroclaw, Krakow, Gdansk, Viena e Budapest. KLM Carreiras
A importância da licença EASA Part-66
Para quem pretende construir uma carreira de longo prazo na União Europeia, um dos principais diferenciais é a EASA Part-66 Aircraft Maintenance Licence (AML).
As categorias mais conhecidas são:
- Categoria A: normalmente associada a tarefas mais limitadas de manutenção de linha e correção de defeitos simples.
- B1: direcionada principalmente à parte mecânica, estrutura, motores e sistemas elétricos, dependendo da subcategoria.
- B2: voltada principalmente aos sistemas aviônicos e elétricos.
- C: associada à certificação de manutenção de base em aeronaves de maior porte.
Para obter uma licença B1 ou B2, a EASA exige conhecimentos básicos e experiência prática conforme a Part-66. Para adicionar a habilitação de um determinado tipo de aeronave, normalmente são necessários Type Training teórico e prático e, para a primeira habilitação de tipo, OJT (On-the-Job Training). EASA
É importante entender, porém, que nem todo emprego como mecânico exige que o profissional já possua uma Part-66. A própria EASA esclarece que a licença é necessária para determinadas funções de certificação e de support staff, mas não para todas as atividades dentro de uma organização de manutenção. Isso abre portas para profissionais estrangeiros começarem como aircraft mechanic, technician ou trainee enquanto desenvolvem sua carreira europeia. EASA
Profissionais estrangeiros também têm espaço
Uma dificuldade comum para brasileiros e outros profissionais formados fora da Europa é a equivalência das qualificações. Uma licença de manutenção emitida por um país que não pertence ao sistema EASA não é automaticamente convertida em uma EASA Part-66. Da mesma forma, uma formação aeronáutica realizada fora da União Europeia não necessariamente concede créditos para os requisitos teóricos da licença europeia. EASA
Isso não significa que a experiência adquirida no exterior seja inútil. Pelo contrário: experiência prática documentada em aeronaves comerciais pode ser extremamente valorizada pelos empregadores.
Algumas empresas contratam profissionais antes mesmo de eles chegarem ao nível completo de certificação. A KLM, por exemplo, informa que candidatos com uma AML ainda sem type rating, mas com pelo menos três anos de experiência relevante, podem em determinadas circunstâncias obter a habilitação necessária por meio de treinamento e OJT na própria empresa. A companhia também informa oferecer auxílio de relocação para alguns engenheiros de manutenção contratados no exterior. KLM Carreiras
A Ryanair também anuncia oportunidades nas quais determinados cargos podem contar com patrocínio de visto dependendo da função e da localização, embora isso deva sempre ser verificado individualmente em cada vaga. Ryanair Careers
Experiência que tende a abrir mais portas
Profissionais que já trabalharam com aeronaves amplamente utilizadas pelas companhias europeias podem ter vantagem. Experiência em famílias como Airbus A320 e Boeing 737 NG/MAX, por exemplo, aparece frequentemente nas vagas de manutenção.
Além da manutenção de aeronaves completas, existem carreiras especializadas em:
motores aeronáuticos, aviônicos, estruturas e materiais compostos, componentes, trem de pouso, interiores de cabine, NDT, planejamento de manutenção, controle de produção e qualidade.
A KLM, por exemplo, mantém oportunidades específicas para manutenção e revisão de motores, além das posições tradicionais de manutenção de aeronaves. KLM Carreiras
Inglês é fundamental
Mesmo em países onde inglês não é o idioma oficial, ele é essencial na manutenção aeronáutica. Manuais de manutenção, documentação técnica, procedimentos e grande parte da comunicação do setor utilizam inglês.
A EASA exige que o profissional que exerce privilégios de certificação consiga ler, escrever e comunicar-se adequadamente no idioma utilizado pela documentação e pelos procedimentos necessários ao trabalho. EASA
Por isso, um mecânico que combina boa experiência prática + inglês técnico + conhecimento das normas EASA torna-se consideravelmente mais competitivo.
Uma possível estratégia para quem deseja sair do Brasil
Para um mecânico brasileiro interessado em trabalhar na Europa, uma estratégia eficiente é primeiro organizar cuidadosamente sua documentação profissional: certificados de formação, cursos, registros de experiência, cartas de empregadores e, principalmente, um logbook detalhando as atividades realizadas e os tipos de aeronaves.
Em seguida, vale preparar um currículo em inglês direcionado à aviação europeia e buscar tanto vagas de Aircraft Mechanic quanto posições de B1/B2 Licensed Aircraft Engineer, dependendo da qualificação já possuída.
Para quem ainda não possui Part-66, entrar inicialmente como mecânico em uma organização Part-145 pode representar uma porta de entrada interessante, permitindo acumular experiência no ambiente regulatório europeu e avançar posteriormente para uma licença EASA.
A própria EASA recomenda que a experiência seja documentada de maneira suficientemente detalhada para demonstrar onde, quando e quais atividades de manutenção foram realizadas, e observa que um maintenance logbook é desejável e pode ser exigido pela autoridade competente. EASA
Perspectiva profissional
A manutenção aeronáutica europeia oferece uma combinação interessante de mobilidade internacional, especialização técnica e progressão de carreira. Um profissional pode começar como mecânico, tornar-se Cat A, evoluir para B1 ou B2, conquistar habilitações de tipo e posteriormente assumir funções como certifying staff, líder de equipe, inspetor, supervisor ou posições de engenharia e gestão de manutenção.
Para quem está disposto a investir em inglês, documentação da experiência, formação EASA e habilitações em aeronaves de grande demanda, a Europa continua oferecendo caminhos concretos para construir uma carreira internacional na manutenção aeronáutica. As vagas atualmente publicadas por grandes operadores europeus mostram que essa procura não é apenas teórica: há recrutamento ativo em diferentes níveis de experiência e em diversos países. Ryanair Careers
Caminho mais realista
Para quem sai do Brasil e vai para a Europa, existem basicamente dois caminhos: O primeiro é conseguir emprego como Aircraft Mechanic / Aircraft Maintenance Mechanic, trabalhando sob supervisão de pessoal licenciado. O segundo é buscar uma carreira como B1 ou B2 Licensed Aircraft Engineer, o que normalmente exige uma licença EASA Part-66.
A licença brasileira, incluindo qualificações obtidas fora do sistema EASA, não é automaticamente convertida em uma Part-66. A própria EASA informa que uma AML emitida por país não pertencente ao sistema EASA não pode simplesmente ser validada como uma licença EASA. EASA
Por isso, para muitos brasileiros, a melhor estratégia é entrar primeiro como mecânico e desenvolver a Part-66 paralelamente.
Como chegar à EASA B1/B2
Para uma licença B1 ou B2, a EASA exige dois pilares: conhecimento teórico conforme a Part-66 e experiência prática de manutenção. Depois, para incluir uma aeronave específica na licença, entram o Type Training e, para o primeiro type rating, normalmente o OJT — On-the-Job Training. EASA
Para um mecânico de aviões comerciais, a licença mais interessante costuma ser a B1.1, destinada a aviões com motor a turbina. Já a B2 é especialmente voltada à área de aviônicos.
Um detalhe importante: a EASA indica que candidatos a B1/B2 precisam ter pelo menos parte da experiência adquirida dentro do ambiente Part-145 ou Part-CAO; para B1/B2, o mínimo indicado nesse contexto é de 12 meses. A autoridade aeronáutica do país onde você solicitará a licença é quem analisará exatamente quanto da sua experiência anterior poderá ser aceita. EASA
Portanto, guardar evidências de experiência é essencial: logbook, cartas das empresas, cursos, certificados, modelos de aeronaves trabalhados e descrição das tarefas executadas.
Oportunidade sem Part-66
Esse é provavelmente o ponto mais interessante para quem está no Brasil.
Existem vagas europeias para Aircraft Mechanic que não exigem que o candidato já seja B1/B2. Uma vaga atual da rede de manutenção da Ryanair, por exemplo, envolve heavy maintenance de Boeing 737-800 e trabalho sob supervisão de profissionais B1/B2/C. Ela pede experiência no 737-800, inglês e disponibilidade para trabalhar em turnos. A empresa informa inclusive financiamento de cursos de módulos e type rating e acomodação inicial para relocação. Ryanair Careers
A Ryanair também está fazendo recrutamento internacional em 2026 e informa que algumas funções e localidades oferecem visa sponsorship. Para Aircraft Mechanics, a empresa procura especialmente experiência em Boeing 737NG/MAX. Ryanair Careers
Isso mostra por que alguém com experiência em 737NG/MAX pode ter uma vantagem considerável.
E quem trabalha com Airbus?
Também há grande mercado.
Experiência em:
A320 CEO/NEO, A330, A350, B737NG/MAX, B777 e B787
é particularmente interessante porque essas famílias aparecem frequentemente nas grandes operações europeias.
A KLM, por exemplo, procura atualmente profissionais com experiência em B737, B777, A330, A320neo e B787. KLM Carreiras
Por isso, se você já trabalha em alguma dessas aeronaves, vale colocar o tipo de forma muito visível no currículo.
Em vez de simplesmente:
Aircraft Maintenance Mechanic
é melhor algo como:
Aircraft Maintenance Mechanic — Airbus A320 Family / CFM56 / V2500
ou
Aircraft Mechanic — Boeing 737NG/MAX — Line & Base Maintenance
Isso facilita muito a leitura do currículo por recrutadores aeronáuticos.
Países que eu priorizaria
Para um brasileiro sem passaporte europeu, eu dividiria a busca desta maneira:
| Prioridade | País | Por quê |
|---|---|---|
| ⭐⭐⭐⭐⭐ | Irlanda | Aviação forte, inglês e grandes operadores |
| ⭐⭐⭐⭐⭐ | Alemanha | Grande indústria aeronáutica e sistema relativamente estruturado de imigração qualificada |
| ⭐⭐⭐⭐ | Polônia | Muitas operações de heavy/base maintenance e custo de entrada menor |
| ⭐⭐⭐⭐ | Holanda | Excelentes empresas e salários, mas imigração pode ser mais seletiva |
| ⭐⭐⭐⭐ | Malta | Forte presença de MRO e aviação |
| ⭐⭐⭐ | Hungria | Bases de manutenção e operações low-cost |
| ⭐⭐⭐ | República Tcheca | MRO e manutenção pesada |
| ⭐⭐⭐ | Espanha | Grande setor de aviação, mas espanhol ajuda bastante |
Para imigração, Alemanha merece atenção especial. O portal oficial do governo alemão informa que profissionais com qualificação profissional reconhecida podem obter visto para trabalho qualificado quando possuem uma oferta concreta de emprego e cumprem os demais requisitos. Make it in Germany
Na Holanda, existe o regime de Highly Skilled Migrant, mas o empregador precisa ser um patrocinador reconhecido pelo IND e existem requisitos salariais. IND
Na Irlanda, trabalhadores de fora do Espaço Econômico Europeu normalmente precisam de um employment permit. O sistema possui tanto Critical Skills Employment Permit como General Employment Permit, dependendo da classificação da vaga. Governo Irlandês
Irlanda pode ser especialmente interessante
Há três vantagens evidentes: mercado aeronáutico importante, uso do inglês e grande presença de empresas ligadas à aviação.
Para 2026, o salário mínimo necessário para um General Employment Permit é €36.605 anuais; para determinadas modalidades de Critical Skills, começa em €40.909 anuais quando o candidato possui a formação relevante exigida. Governo Irlandês
Isso não significa que qualquer vaga de mecânico automaticamente consiga um desses vistos. A classificação depende das atividades da vaga, salário e critérios definidos pelo governo irlandês. Mas é um país que merece estar entre os primeiros da busca.
E os salários?
Eles variam bastante conforme país, turnos, experiência, licença e type ratings.
Um exemplo concreto é a KLM, na Holanda. Sua vaga atual para Aircraft Maintenance Technician B1/B2 oferece entre €3.849 e €5.076 brutos por mês, dependendo da experiência. KLM Carreiras
Isso equivale aproximadamente a:
€46.000–€61.000 brutos por ano, antes de benefícios e eventuais adicionais.
Um mecânico sem licença B1/B2 normalmente estará abaixo da faixa de um Licensed Aircraft Engineer. Já profissionais B1/B2 com type ratings valorizados, experiência de line maintenance, turnos noturnos e capacidade de certificar aeronaves podem chegar a remunerações significativamente superiores.
Portanto, não recomendo comparar simplesmente "salário de mecânico na Europa". São praticamente mercados diferentes:
Mechanic → Cat A → B1/B2 → B1/B2 com Type Rating → Certifying Staff
e a remuneração tende a subir bastante conforme se avança nessa cadeia.
Empresas para acompanhar.
Empresas como Ryanair Engineering, KLM Engineering & Maintenance, Lufthansa Technik e suas afiliadas, além de MROs independentes e bases de manutenção espalhadas pela Europa.
No momento, por exemplo, a Ryanair está recrutando centenas de profissionais de engenharia e manutenção em sua rede europeia e oferece oportunidades em países como Irlanda, Alemanha e outros mercados europeus. Ryanair Careers
Em Wroclaw, na Polônia, há também vaga atual para B1/B2 Licensed Aircraft Engineer em manutenção pesada de Boeing 737-800. Ryanair Careers
O que mais aumenta suas chances
Para um brasileiro, seria importante priorizar cinco coisas, nesta ordem:
- Inglês técnico pelo menos B2.
- Experiência comprovável em aeronaves Airbus ou Boeing comerciais.
- Logbook detalhado da experiência.
- Conhecimento de AMM, IPC, SRM, FIM, MEL e documentação técnica.
- Início do processo EASA Part-66.
Curiosamente, uma vaga atual da Ryanair para Aircraft Mechanic exige explicitamente inglês mínimo B2 e trabalho com documentação como AMM, SRM, IPC e FIM. Ryanair Careers
Isso dá uma boa indicação do perfil que empresas europeias procuram.
ATENÇÃO!
Se você já possui CHT/licença de Mecânico de Manutenção Aeronáutica emitida pela ANAC, uma alternativa interessante é iniciar ainda no Brasil o processo voltado à licença EASA Part-66 por meio da SLTec Education, em Guarulhos.
A SLTec mantém uma parceria com uma organização portuguesa Part-147 e permite que o profissional brasileiro realize no Brasil a preparação e as provas correspondentes à formação europeia. Para a categoria B1.1, por exemplo, o programa inclui 13 avaliações de múltipla escolha e uma prova dissertativa. Ebook - Cat B1-3 (1)
Isso pode tornar o caminho mais conveniente para quem já atua na manutenção aeronáutica no Brasil, pois permite avançar na parte teórica e documental sem precisar se mudar inicialmente para a Europa.
É importante destacar que não se trata simplesmente de uma conversão automática da CHT ANAC. Após a aprovação nas avaliações, o processo também exige documentação de experiência prática, incluindo um logbook com 1.000 tarefas e os formulários exigidos pela autoridade portuguesa para a solicitação da licença. Ebook - Cat B1-3 (1)
Dessa forma, o profissional que já possui licença ANAC e experiência comprovada pode estruturar boa parte do caminho para a certificação europeia ainda no Brasil, chegando ao mercado europeu em uma posição mais competitiva para disputar vagas em companhias aéreas e empresas de manutenção.
Contato SLtec Education:
Tel: 11 2403-2784
11 4963-2784
Whatsapp +55 11 94024-1714
E-mail : contato@sltec.com.br
site: http://stelc.com.br


